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“O Esforço Antecede a Benção”

GRUPO DE ESTUDO FAMILIAR 2011 – ESTUDO Nº 23

 (Mateus 17:24-27)                   

                     A mensagem que temos neste texto bíblico não é para obtermos fé, ou para nos estimular a crer, mas sim uma mensagem que estimula os que já crêem. Nesta ocasião Jesus estava resolvendo uma dificuldade dele e de seus discípulos quando questionados a respeito do tributo que se pagava em Jerusalém. Não se tratava do tributo que o Império Romano cobrava, mas o imposto que era cobrado uma vez ao ano, para manutenção do templo, conforme lemos em Êxodo 30:11-16. Na moeda israelita equivalia à metade de um ciclo por pessoa; na grega, duas dracmas, ou dois dias de salário mínimo. Cada israelita de vinte anos para cima pagava imposto religioso. Em qualquer reino onde se cobra imposto para sua manutenção, ficam isentos o rei e seus filhos; sendo Jesus o filho de Deus, o dono do templo, não teria qualquer obrigação de pagar este imposto (conforme Lucas 2:49). Contudo, para não dar motivos dos judeus o acusarem e também para ensinar aos discípulos (e a nós) a fidelidade nos deveres civis e religiosos (veja Rm. 13:7), Jesus manda que Pedro vá ao mar, lance o anzol e na boca do primeiro peixe fisgado ele encontraria um estáter (que era uma moeda que valia quatro dracmas, suficiente para pagar o imposto de duas pessoas).

                             Pedro já cria em Jesus; não questionava sua palavra, sabia que Ele era o filho de Deus e se somos semelhantes a Pedro, pessoas de fé que não questionam a palavra de Deus nem sua revelação, depois disto vem um esforço de nossa parte que antecede a benção. Cremos que Deus é vivo e real, que sua Palavra não falha, que Ele cumpre suas promessas, mas no momento em que devemos nos esforçar, não para crermos, mas porque cremos, falhamos e conseqüentemente perdemos a benção. Achamos que as bênçãos devem vir a nós sem qualquer esforço da nossa parte e assim nos enganamos.

                             Naquele momento de dificuldade financeira, imaginamos que Jesus faria um milagre qualquer ali (transformando uma pedra numa pedra preciosa, achando ouro, fazendo cair dinheiro do céu), mas Ele nos surpreende quando manda Pedro pescar, sem dar detalhe algum sobre para que lado do mar se dirigir, a que profundidade, por quanto tempo. Acreditamos que Deus existe, por isso lemos a sua Palavra; acreditamos que ela é verdadeira, por isso oramos e o fazemos com fé como quando Pedro respondeu com segurança que Jesus pagaria o imposto (vv. 24b e 25a). Mas Jesus lhe fala: agora vem a sua parte – vá se esforçar!

                             Em II Coríntios 5:20, lemos que somos embaixadores da parte de Cristo, e um embaixador que reside num país diferente do seu, deve seguir as leis existentes naquele país e Jesus como homem, embaixador de Deus na terra, queria cumprir a lei humana e esta lei foi dada pelo próprio Deus em Êxodo 30, determinando que todo judeu acima de vinte anos pagasse este imposto. Para pagar, é preciso ter dinheiro, e este se obtém trabalhando. Não vemos na Bíblia Deus agindo diferentemente. Deus sempre vai agir conforme a nossa ação diante da necessidade; esta ação não pode ser prepotente, mas uma ação de quem crê em Deus e nas suas promessas, seguida de esforço próprio em aprender, em fazer, em obedecer, em realizar. É incrível a quantidade de vezes que Deus diz “esforça-te” (leia Salmos 31:24; Provérbios 24:10). A benção só chega após um esforço considerável de quem dela necessita. Muitas vezes conseguimos dar todos estes passos: acreditamos na Palavra, em Deus, obedecermos à Ele, oramos, jejuamos, cremos que Ele não falha, mas quando chega o momento de mostrarmos a nossa ação enérgica (do corpo, da alma ou do espírito) que é a nossa parte para recebermos a benção,achamos que Deus tem que fazer isto também por nós. Se o problema é financeiro, certamente vai “brotar” dinheiro na minha conta; se é de aprendizagem, Ele vai “abrir a minha mente e colocar toda a Sua sabedoria dentro dela”; assim não preciso estudar nada. Em cada área que estamos necessitados, um pouquinho antes da benção temos que nos esforçar. Não podemos fracassar bem aqui.

                            Josué, sucessor de Moisés, era um homem preparado para crer, para obedecer, tinha conhecimento, mas Deus entendeu que precisava prepará-lo no esforço. Então vemos no capítulo um do livro de Josué, Deus lhe falando exaustivamente: “Josué, esforça-te! Tenha muito bom ânimo! Josué, tão somente esforça-te!” Pedro estava na presença do Mestre e com certeza no coração respondeu por Jesus aos cobradores do imposto: “Sim! Ele vai pagar”. E ao adentrar a casa, Deus não fez um estáter cair em seu bolso; Jesus manda-o ir ao mar, trabalhar. Somos embaixadores do céu aqui na terra e lá no céu, certamente, não vamos precisar de dinheiro; mas aqui na terra precisamos dele e o obtemos trabalhando. Deus poderia suprir aquela necessidade dos discípulos, de forma sobrenatural, maravilhosa, surpreendente, instantânea. Jesus, o Seu filho unigênito sabia de todas as riquezas da terra porque “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3), mas como embaixador de Deus na terra e como exemplo para os homens, sujeitou-se às leis humanas.

                             Em seu diálogo com Pedro, Jesus conclui: “... Logo estão livres os filhos” (v.26b) como a dizer: na verdade não teríamos que cumprir com as leis dos homens porque a terra foi feita pôr Deus e para seus filhos e você também sendo um filho de Deus não teria que cumprir as leis da terra. O bom da terra, o melhor da terra é nosso, filhos de Deus, mas para não escandalizar, não sermos “pedras de tropeço”, não darmos motivo para falarem do Reino dos Céus na terra, temos que trabalhar. Cumpramos a nossa parte, e quando obedecermos, Deus coloca seus recursos “na boca do peixe”, no lugar em que menos esperamos. Jesus disse a Pedro: “na boca do primeiro peixe fisgado”; não disse quando (se pela manhã, tarde ou noite, nem se dentro de cinco minutos ou duas horas). Mas Pedro iria fisgar um peixe e ali estaria a provisão de Deus. Isto nos mostra como o Pai providencia o necessário para seus filhos. Entendemos também que, nossa ação enérgica glorifica a Deus e consuma a benção.

                             Na grande pesca (leia Lucas 5:4-6), pela manhã, os discípulos já estavam exaustos, pois trabalharam a noite toda sem nada pescarem e Jesus, para resolver aquele problema, os manda de volta jogar as redes ao mar. Era exigir o limite daqueles que n’Ele criam. Na cura do homem que tinha uma das mãos mirradas (leia Marcos 3:5), Jesus ordenou ao homem que estendesse aquela mão. Esta ação exigia muito esforço e era acompanhada de muita dor, mas ele agiu e foi abençoado. Na cura de um paralítico (leia Lc. 5:24 e 25), Jesus não se propôs a levantar o doente para depois alguém levá-lo para casa. Mas é assim que acontece muitas vezes hoje; queremos pegar a pessoa “no colo”, fazer tudo por ela e por isso nunca mais ela descerá “do colo”. Teremos que carregá-la para sempre e como não conseguimos, abandonamo-la enfraquecida pelo caminho. Jesus não dava o peixe, nem ensinava a pescar. Ele mandava pescar. É o que antecede a benção em nossa vida. Você tem fé? Acredita em Deus? Então “jogue a rede” e faça essa sua parte com bom ânimo.

                             Na cura dos dez leprosos (Lc. 17:12-14), Jesus ordenou-lhes que procurassem um sacerdote para que se apresentassem à ele. Um leproso era proibido de entrar na cidade e se o fizesse estava sujeito a ser apedrejado, pois a lepra era contagiosa. Os sacerdotes tinham turnos de trabalho, mas este era o esforço que antecedia a benção; e indo eles, na obediência e no esforço da fé (de quem crê), ficaram limpos. Nas bodas em Caná (leia Jo. 2:3-7), Jesus ordenou aos serviçais que enchessem as talhas com água. Naquela época não havia água encanada, caixa d’água sobre os telhados ou hidrantes nas ruas; tampouco a água era encontrada com facilidade. E o problema deles não era a água e sim a falta de vinho. Mas Maria disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele lhes mandar”. Na obediência e no esforço foram abençoados. Na passagem de Jo. 4:13-30 (leia), Jesus conversava com uma mulher samaritana e quando ela entendeu que Ele tinha as bênçãos espirituais de que tanto precisava, pediu-lhe: “dê-me dessa água” e Jesus lhe diz: “Vá, chame seu marido e volte”. Como trazer o marido se não o tinha? Mas apesar da dificuldade ela não desistiu e voltou à cidade chamando todo o povo para ver o Cristo.

                              O cego de nascença (leia Jo. 9:6 e 7) teve aplicada em seus olhos uma mistura de terra com saliva, mas antes que voltasse a ver, Jesus ordenou-lhe que fosse lavar-se no tanque de Siloé. Para um cego caminhar até um tanque e encontrar água, apalpando e debatendo-se no escuro, é um esforço enorme. Mas ele foi. Era uma palavra para quem crê, pois quem duvida não se esforça; cruza os braços e espera que Deus, um dia, realize algo extraordinário em sua vida. Existem muitas outras passagens bíblicas que nos revelam que o esforço antecede a benção. Na passagem bíblica da morte de Lázaro (Jo.11:1-44), vemos que  tanto Marta quanto Maria, irmãs de Lázaro, eram mulheres de grande fé e quando foram ao encontro de Jesus, eram tantas as pessoas que estavam comovidas chorando a morte de Lázaro, que Jesus agitou-se no espírito, perturbou-se e chorou. Levaram-nO onde estava Lázaro sepultado a quatro dias e já cheirava mal, mas chegando ao sepulcro, antes da benção acontecer, ordenou que tirassem a pedra que fechava a entrada da gruta. Os que ali estavam não podiam ressuscitar o morto que estava na gruta, mas poderiam remover a grande pedra à sua entrada. Depois de bradar em alta voz: “Lázaro venha para fora!” disse Jesus aos demais: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir”, pois lázaro tinha as mãos e os pés envoltos em faixas de linho e o rosto envolto num pano.   

                              O cego não poderia abrir seus olhos, mas podia caminhar até o tanque de Siloé. Pedro não poderia colocar o estáter na boca do peixe, mas podia pescar. Não podemos curar nosso corpo, mas podemos obedecer a Palavra e nos esforçar. Josué não podia vencer o inimigo, mas podia esforçar-se e entrar na guerra. A palavra de Deus dirigida a ele foi: não fuja da luta; esforça-te, tem bom ânimo porque estarei na batalha com você”.

                               Dessa forma vamos encontrando Jesus, em muitos lugares da Bíblia, no momento que antecede a benção, esperando da nossa parte que não fracassemos. Se já caminhamos até aqui, se cremos em Deus, cremos que Ele pode, não falha, cumpre com suas promessas, então temos que dar o último passo – esforçarmo-nos! Necessitamos de dinheiro? Vamos ao trabalho! Necessitamos de perdão? Vamos à reconciliação! Precisamos de cura na alma? Vamos ao diálogo! Enfim, em qualquer direção que precisarmos fazer, aprender, obedecer, realizar, guerrear, Deus espera que nos esforcemos para isto. Não é bíblico e nem de Deus cruzarmos os braços e pedir: lutem por mim; orem por mim; jejuem por mim. Posso pedir isto aos irmãos, mas a benção não virá na minha vida se eu também não me esforçar para isto. Pedro teve um árduo trabalho para obter um estáter (um pequeno valor) e pagar a dívida, mas o problema de Josué era muito maior e Deus teve que repetir várias vezes: “tão somente esforça-te, e tenha muito bom ânimo! Amém!                

 

 

                           

 

                          

 

                           Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.

           

 

Início 18/10/13 01h30mn