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Esperei com paciência no Senhor

GRUPO DE ESTUDO FAMILIAR 2011 - ESTUDO N°3 – Salmo 40

 

 

   Iniciamos dizendo que Deus sempre tem coisas grandiosas através de revelações muito simples. No Salmo 40, o rei Davi inicia dizendo “esperei” mostrando-nos com esta palavra que ele nada sabia sobre espera.

   Ninguém gosta de esperar nada, mas Davi aprendeu a esperar no Senhor. Ele foi um homem que teve um encontro muito real com sua fraqueza e ao mesmo tempo presenciou a força de Deus na sua vida. Suas experiências foram enormes fazendo-o conhecer os dois lados da vida – o de perdas e o de vitórias. E é aqui que ele revela um dos segredos da sua vida de vitória – esperar com paciência no Senhor.

   O apóstolo Paulo, na unção do Espírito Santo, falando à Timóteo sobre a espera, exemplifica-a com o agricultor; à respeito da dedicação, usa o atleta como exemplo; sobre a entrega, seu exemplo é o soldado e faz observações tão importantes, e nos ensina que precisamos abraçar, vivenciar e praticar estas coisas. Sobre a espera, lembra-nos do agricultor, porque ninguém entende melhor de paciência e espera do que ele. Em seu trabalho, primeiro prepara a terra, depois lança a semente e depois pacientemente começa a esperar – o sol, a chuva, o crescimento, o tempo da colheita. Temos uma parte a fazer e depois esperamos que Deus faça a d’Ele.

   É muito difícil encontrar alguém que espera pacientemente. Muitos desistem de esperar e vão embora e às vezes a benção, a resposta de Deus chega e a pessoa não está mais lá; mudou de idéia; mudou de opinião; reformulou o seu pedido. Deus não fez, ela mesma o fez; Deus não orientou, ela se orientou; Deus não deu, ela “se arranjou” de outra forma; não esperou porque esperar é difícil. Se uma pessoa não aprender a esperar, vai aprender rapidamente a desesperar, o que é muito pior. Se ela não aprender com paciência, vai ver que na impaciência os resultados são muito piores; porque onde tem um paciente tem alguém sendo tratado, restaurado e curado. Com um impaciente qualquer trabalho fica prejudicado.

   A Bíblia fala com detalhes que Deus é longânimo (2 Pe 3.9). Ele não é afobado, nem precipitado. Não tem pressa e nem corre atrás do sucesso como se não fosse dar tempo. Deus é calmo, sereno e tranqüilo porque quer que todos se salvem. Se Deus é longânimo, temos que aprender a esperar no Senhor com paciência (veja Lc 21.17).

   No Salmo 40, Davi está testemunhando a falência da sua vida e não do que conquistou na vida. Quando se perde o que se conquistou, perdemos coisas, mas quando a vida perde o seu valor, se perde o “eu”, o “norte”, o rumo, a orientação. Não se perde o que se tem, mas o que se é. Foi assim que Davi se viu “afundando num lago horrível”. Não disse: “meus bens foram confiscados” ou, “perdi o meu trono” ou, “perdi meus valentes”, mas gritou: “os meus pés estão afundando num charco horrível de lodo”. Se alguém luta por uma empresa, por uma micro-empresa ou por um negócio que está por nascer, imagine como não deve lutar desesperadamente por seu maior bem que é a vida... Ninguém desiste da vida tão facilmente e quando o faz é porque já encontrou o limite da sua força. Não tem resistência, não vê uma saída, não vê uma rocha para firmar os pés, não vê um rumo pra seguir e no desespero da luta pela vida se vê perdendo, então desiste de viver.

   Davi estava numa situação de enorme fracasso, mas ainda assim continuou esperando pacientemente no Senhor e completa: “Ele ouviu o meu clamor”. Não sabemos se é fácil esperar até que Deus ouça o nosso clamor. Por quanto tempo? Até quando? Não sabemos. Sabemos sim que em situações que nos parecem absurdas, Deus sempre tem uma palavra de ordem e simples nos dizendo: “preste atenção!”.

   Temos o exemplo dos discípulos que lançaram as redes ao mar a noite toda e nada pegaram, mas sob a palavra de Jesus a pesca foi tão grande que quase o barco veio a pique. Certamente aprenderam a diferença entre executar sob a palavra de Jesus e executar sem ela. Ou alguém que faz melhor e com mais detalhes, mas confiando exclusivamente na sua própria capacidade, ou no seu “eu” e não sob a força da palavra divina ( veja Jo 15.5b). De repente alguém já esperou muito, mas não no Senhor, não de uma forma paciente e sim de um outro jeito (jogando a rede pra outro lado, andando de outro modo). Mas “a receita” de Davi é: “eu esperei pacientemente no Senhor”. O agricultor nos ensina um pouquinho sobre a espera. Geralmente não sabemos nada dela e às vezes nada sabemos de paciência e sabemos muito pouco do Senhor. Aquilo que chamamos de espera, para Deus pode ser uma afobação; o que chamamos de paciência não passa de uma impaciência diante de Deus porque Ele não tem pressa e não dá nada pra ninguém fora do tempo, e nem o que é mau.

   Esperar com paciência inclui quietude, calma, oração e fé. Numa ocasião, a luta de Davi era tão grande (Salmo 51) que ele suplica a Deus: “não me lances fora da tua presença, e não retires de mim teu Espírito Santo”. “Torna a dar-me a alegria da tua salvação...”. E quando Deus se inclinou para ele, ali estava esperando no Senhor. E no salmo 40 ele afirma: “Ele ouviu o meu clamor e firmou os meus pés sobre a rocha” (que é o símbolo de Jesus Cristo). “ Guiou os meus passos” (lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho – Sl 119.105).

   Nos vvs 14 e 15 do Sl 40, Davi fala daqueles que lucram, que folgam, que riem da desgraça alheia, do fracasso da vida dizendo: “bem feito”, “achei bom”, “isto é pra ele aprender”, “bem que mereceu”, “Deus não faz nada errado”. Essas pessoas estiveram na vida de Davi e sempre estão na vida de pessoas em luta. E isto só aumentava o tormento e a dor de Davi, mas ele renova seu compromisso com Deus dizendo: “Deleito-me em fazer a tua vontade...” (v 8). Já nos vvs 2-5, vemos a restauração da vida de Davi. Falando do corpo ele diz: “agora os meus pés estão sobre a rocha e os meus passos são orientados”. Referindo se a alma ele diz: “e pôs um novo cântico em minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor”.

   Há uma diferença entre canção, música e som. A canção, o louvor, a adoração não estão no intelecto, na técnica musical, mas brota da alma. Uma alma ferida, moribunda, não pode cantar. O máximo que consegue é produzir sons com letra, música e ritmo e quando termina já está triste novamente. Um exemplo disto temos no Sl 137 – a tristeza do judeus no cativeiro.

   Não há ninguém que pode fazer mais que o Senhor. Ele é o melhor do mundo em qualquer área ou situação. E Davi sabia disto tanto que, mesmo estando “no fundo do poço” disse: “muitas são as tuas maravilhas...” (v 5). Se um problema vivido é pequeno, provavelmente um familiar, um amigo, o pastor, um médico, um tratamento, uma disciplina, uma massagem, ou seja, alguém poderá resolvê-lo. Mas Davi sabia que só o Senhor poderia socorrê-lo. Precisamos aprender a separar o que podemos receber dos homens de Deus e o que temos para receber de Deus. Davi fez tudo que podia, tudo que sabia, lutou bravamente, mas mesmo assim foi vencido e estava rendido. Sem gostarmos e sem desejarmos, acabamos liberando muita paciência para lidar com tudo e com todos na terra. Protocolamos nossos pedidos e esperamos; sentamos e aguardamos pacientemente e às vezes por muito tempo. Mas achamos que o Senhor é uma máquina de atender desejos, inconsciente, mas a Bíblia nos diz que Ele é longânimo, tem os seus porquês, não atrasa e nem falta na vida de ninguém que continua esperando n’Ele.

   Temos na Bíblia alguns exemplos de pessoas que estiveram bem próximas de perder uma grande benção de Deus em suas vidas, por se desesperarem – Moisés, Naamã, Jonas, Tiago, João. Davi é um exemplo diferente – a sua vida estava falida publicamente, mas em seu coração ele continuava esperando no Senhor. Precisamos esperar no Senhor até Ele se inclinar para nós e ouvir o nosso clamor.

   Davi também nos mostra que Deus não quer sacrifícios e ofertas, flagelos ou muito ouro para ser agradado, pois Davi teria feito de tudo para “pagar” e receber a benção. Mas Deus queria que ele continuasse esperando. Ao dizer “as minhas orelhas furaste”, referia-se a um cerimonial ordenado a Moisés para um servo livre e que ele, Davi, servia ao Senhor voluntariamente, por amor. Para ilustrar esta situação é como um cão que o dono solta da corrente e Le corre por todos os lugares, conhece tudo e depois volta e fica ao lado do dono sem a corrente. Está preso pela lei da liberdade, pela lei do amor.

   Ao final, ele diz que da mesma forma que existem aqueles que se alegram com o fracasso das pessoas, há os que se alegram com as bênçãos (v 16). São pessoas que têm prazer em glorificar e engrandecer o Senhor em qualquer situação. E encerra o salmo dizendo: “eu sou pobre e necessitado, mas Deus cuida de mim”. Há alguém cuidando de nós, e Davi continuou: “Tu és o meu auxílio e o meu libertador”.

   Temos no Salmo 25.3, em Isaias 40.31, promessas abençoadoras. Por isso Davi afirma no v.8 “deleito-me em fazer a tua vontade” porque as promessas de quem espera no Senhor são grandiosas.

 

Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes em 26/07/2.006.

 

           

 

Início 18/10/13 01h30mn